Quem sou eu realmente

Um dia, na adolescência, escrevi o texto abaixo. Hoje ele é um dos meus textos mais copiados e utilizados sem que citem a autoria (ou, pior, assinado como se fosse de outra pessoa), então cheguei à seguinte conclusão: não sou exceção. Muita gente também não sabe quem é realmente. Eis-me.

Quem sou eu além do que já sei?
Talvez alguém que se perdeu em seu Destino antes traçado
Talvez alguém que se encontrou quando desacreditou ter se achado.
O reflexo no espelho é cruel – parece rir
Ou sorrir – não sei
Fixo o olhar naquela imagem
O que há ali atrás? Sem resposta… Sem nexo!
Ele implora por atenção, pede carinho e auto-estima
Ali, o sorriso cativante, devolve-me o olhar penetrante
Quem sou eu, realmente?
Muito posso parecer aos olhos alheios – como me mostro
Interpretação do que pareço
Mas não consigo descobrir quem sou.
Busco ainda o entendimento, escrevo o que sinto
Demonstro o que penso e poucos conseguem entender
E ainda sem resposta, sem nexo…
Busca infinita, refúgio para o meu complexo
Sem ajuda proveitosa e com toda a ajuda que necessito
Uma outra dimensão que visito
Mas ainda insisto: quem sou eu realmente?
Alguém comum, alguém diferente?
Alguém que de seu modo expressa o que sente.
Medo, ansiedade e fraqueza misturam-se
Quem sou eu realmente, confesso que não sei…
Será que algum dia descobrirei?

Roberta de Felippe, é o que consta nos meus documentos. Beta, para os afetos. Possuo um Espírito viajante que dá mais valor ao sentimento do que à sensação e acredita que no estilo, no caráter, na conduta (em todas as coisas), a simplicidade é a suprema virtude. A encontro geralmente no silêncio que necessito para ser, pensar e agir. Sou uma amante da Arte, ambiciosa na medida exata – ao alcance dos meus sonhos. Não admito que falem em afeto desperdiçado – porque afeto nunca foi e jamais será desperdício. Quando se trata de confiança, prefiro os gatos ao ser humano, mas quando adoto um humano de estimação eu demonstro o que sinto. Eu me entrego. Eu vou o mais fundo que puder.

» Para resumir, me defino, então: Eu sou apenas uma frase completa que termina com um ponto de interrogação.

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