[ O texto publicado no post anterior, agora traduzido para o Italiano. ]
Se tu fossi qui ora
anche solo per mezz'ora
avrebbe senso tutto il mio pensare
se in questo momento mi stessi guardando
potrei vedere al di là dei miei occhi
e si rifletterebbe fino a dove i tuoi possono arrivare.
Se stessi ascoltando la mia voce
mi daresti l'attenzione di un allievo
E se io stessi guadagnando importanza
sarei io la persona più felice.
Ah, se potessi comprendere
che ciò che sento è troppo puro
e nobile e semplice
come la complicità del dare senza ricevere
solo per la soddisfazione di donare
del sostenere e comprendere.
Se tu fossi qui ora
potrei esprimermi in un altro modo
forse un gesto, chissà
senza nessuno da analizzare
solo per dimostrare
ma non ho idea di dove tu sia
di cosa fai, o con chi
non so neanche se sei con qualcuno
Però c'è qualcosa che non posso negare
Ti invento a modo mio e il mondo lo ignora
poi così ti immagino perfetto
e riesco a sentire che sei qui ora.
Chuva de Maio
Escrevendo no escuro
Escreva Roberta, escreva…[Sabem aqueles poeminhas que a gente escreve na adolescência?
Ah, pois é. Eis um dos meus.]
Se você estivesse aqui agora
Nem que fosse por meia hora
Seria válido todo o meu pensar.
Se estivesse, nesse momento, olhando para mim
Poderia enxergar além dos meus olhos
E estaria refletido até onde os teus alcançassem.
Se estivesse ouvindo minha voz
Daria-me a atenção de um aprendiz
E, se eu estivesse conquistando importância
Seria eu a pessoa mais feliz.
Ah, se você pudesse compreender
Que o que sinto é tão puro
E nobre e tão simples
Como a cumplicidade do dar sem receber
Apenas pela satisfação do doar
De apoiar e de compreender.
Se você estivesse aqui agora
Eu poderia me expressar de outra forma
Talvez um gesto, quem sabe
Sem ninguém pra analisar
Apenas pelo demonstrar.
Mas nem imagino onde você está
O que faz, ou com quem
Nem mesmo sei se está com alguém
Porém, há algo que não posso negar:
Te faço do meu jeito
Te crio pra mim e o mundo ignora
Pois assim te imagino perfeito
Podendo sentir que está aqui agora.
Senhora do Tempo
O último dia
Madrugada quenteAcordo diariamente ouvindo o cantar dos pássaros empoleirados nas árvores que rodeiam minha casa, salvo os dias de chuva. Não acordo necessariamente de manhã, pelo contrário, geralmente é madrugada ainda quando abro a janela e tento, sem sucesso, observá-los em meio à escuridão. E aquilo me parece uma sinfonia que homenageia o nascer do sol – é muito agradável.
Temos o costume de alimentar os pássaros e eles praticamente já se tornaram parte da família. Minha mãe sempre deixa um pote com arroz e outro com água no quintal e os reabastece ao longo do dia porque, se não fizer isso, eles voam direto para dentro da cozinha sem o menor receio e se alimentam do que na verdade é a comida da cadela. Em razão disso, mantemos a porta quase sempre fechada, já que minha avó tem medo de qualquer coisa que voe e é capaz de ter um ataque cardíaco se um pássaro sobrevoar sua cabeça enquanto ela prepara seu café.
Somos três mulheres (quatro, se contarmos a cadela) vivendo em uma das poucas casas que ainda restam em São Paulo. Para ser sincera, a única coisa que me faz lembrar que moro nessa selva de pedra é o barulho absurdo do Aeroporto de Congonhas, que fica a poucos metros dessa mesma janela de onde não consigo enxergar os pássaros cantantes nas primeiras horas do dia. E assim é, o canto dos pássaros misturado ao som das turbinas dos aviões que pousam em e decolam de Congonhas. Durante anos achei essa combinação muito estranha, hoje o costume me conforta.
Por que estou escrevendo sobre isso? Porque ultimamente é assim que venho me sentindo: um pássaro que a grande maioria ignorante pensa poder bater asas e voar para longe mas que, na realidade, sabe que longe daqui não sobreviveria por muito tempo, porque é aqui onde está sua segurança. Sim, sabe, mas… Não sendo eu dona de todo o saber, posso estar errada. E essa dúvida é que me faz abrir a janela todos os dias e prestar atenção ao cantar dos pássaros, enquanto me indago: seria eu capaz de cantar assim longe daqui?
Escreva Roberta, escreva…
As nossas paisagens
Você tinha tempo, mas já não importa.

