Raiva em rima

maio 5th, 2008 by Beta | 1 Comment | Filed in Poema & Poesia, Viagens da Alma

Amor, então, também acaba?
Não, que eu saiba.
O que sei é que ele se torna matéria-prima
Que a vida se encarrega de transformar em raiva
- ou em rima.

(Paulo Leminski)


* texto antigo

Eu deveria, então, escrever poesia. Uma poesia, uma só que fosse, para usar todas as rimas possíveis no menor espaço conquistado. Deixar que essa raiva toda fosse, depois de muito bem mastigada, digerida e que resultasse em arte. Eu deveria acender um cigarro atrás do outro conforme minha intensa vontade e fumar madrugada adentro, escrevendo sem parar, poesia. Lembrar de cada frase sua e mudar o final, fazendo rima pós rima, assim sem parar, até que toda essa raiva já nao fosse mais raiva. Mas não sei. Eu não sei fazer isso (ao menos ainda não) e talvez nem conseguisse, porque não sei se o amor, depois de transformado em raiva, pode vir a se tornar rima. E é mágoa. É essa sensação de inocência indesejada que me consome, que faz a minha lembrança dolorida, que me invade e me domina, que te afasta do meu bem-querer bruscamente. Então você mente. E eu faço rima.

Não quero te odiar, por mais que me tenha dado motivos para isso. Quero pensar em você e sorrir, quem sabe chegar até a rir, mas por enquanto não há como. Então escrevo. Eu escrevo no intuito de botar para fora o que nem cabe mesmo mais em mim, enquanto você dorme e tem um sono leve, assim calmo, como a leveza e a calmaria de uma vida sem culpa. Hipocrisia – que rima com fantasia, veja só! Foi a tentativa. Não deu, porque a única rima que encontro agora para o amor, é… Raiva.

Basta sentir

abril 30th, 2008 by Beta | 6 Comments | Filed in Viagens da Alma

Falar sobre sentimentos é complicado, porque na maioria das vezes ninguém consegue entendê-los a não ser quem os sente. Por mais que você narre um momento, destaque os detalhes e faça isso com destreza, não conseguirá expressar exatamente o que você sentiu naquele instante. É essa a magia, é na simplicidade da compreensão singular que encontramos o encanto.

Sabemos que a vida – e falo de sua parte boa – se faz de pequenas coisas inexplicáveis. Pequenas, sim. Aquelas coisas que quase sempre são imperceptíveis ao olhar alheio mas que passam a te habitar e não importa quanto tempo fique para trás, você ainda poderá sentir um toque, um cheiro, um gosto. Você não consegue explicar, mas sente. E se sente, explicar para quê?!

Então basta um segundo antes de um beijo ou de uma carícia, para que o momento se eternize. Você irá beijar outras vezes, acariciar e ser acariciado, mas nada sequer chegará perto de se tornar tão marcante quanto aquele segundo antes do ato. Aquele mero segundo que precedeu horas se torna um marco. E você se lembrará sempre dele, por dias, por anos, por uma vida. Talvez por mais de uma.

A única coisa capaz de levar à compreensão é a intimidade. Você não precisa nada dizer, gesticular ou insinuar, você se faz entender. Acontece através de um encontro entre olhares e… Apenas acontece. É natural, chega a parecer místico, mas é algo simplesmente natural. É do íntimo que nasce a cumplicidade, a comunicação em silêncio, a única que pode ser extensamente compreendida – e se um sentimento só pode ser entendido por quem o sente, é na intimidade que o outro encontra espaço para fazê-lo.

Sem que você perceba, tudo passa a fazer sentido. Não é preciso filosofar, indagar, analisar. De uma hora para outra você descobre que perdeu tempo demais tentando decifrar os mistérios, procurando um porquê que nunca teve necessidade de ser. De repente tudo fica claro (e colorido), então você não se importa mais com os motivos, quer apenas sentir – sim, tudo passa a fazer sentido.

As pessoas se manifestarão, mas nada do que dizem parece te atingir dali em diante. Onde quer que você esteja, estará no caminho certo, independendo do que os outros irão falar, opinar, teorizar. Viver se tornou mais importante do que ouvir.

O mundo passa a ser seu e vem aquela vontade voraz de abraçá-lo, tomá-lo em seus braços sem se importar com o que passou, porque agora você compreende. E se alguém te diz que é impossível abraçar o mundo, você responde: – Impossível é te fazer entender, porque você não sente.

Eu finjo ter paciência

abril 5th, 2008 by Beta | 2 Comments | Filed in Viagens da Alma

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára.
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora, vou na valsa
A vida é tão rara.
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência.
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência…
Será que é tempo que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo prá perder?
E quem quer saber? A vida é tão rara, tão rara…

[Lenine - Paciência]

A vida segue adiante mesmo enquanto estamos de olhos fechados, sonhando, sem aceitar que para se realizar um sonho é preciso primeiro acordar. Quanto tempo a gente perde nesse estado, como se estivéssemos em um coma profundo, vivenciando o irreal? São anos e anos idealizando, criando, moldando aquilo que, na verdade, sempre esteve pronto. Acabamos nos envolvendo com uma realidade tão falsa que passamos a enxergar o que não é, deixando de acreditar no que pode ser. Isso dói, martiriza. Então, de uma hora para outra, a gente acorda e quer recuperar o tempo perdido – e é nessa hora que precisamos de paciência, mas estamos tão focados no nosso objetivo, tão ansiosos, que pacientes dificilmente conseguimos ser. E, ao colocar “os pés pelas mãos”, estragamos tudo. Não devíamos desperdiçar a vida assim, não mesmo.

Mulheres Bonitas X Mulheres Inteligentes

abril 2nd, 2008 by Beta | 2 Comments | Filed in Viagens da Alma

Mulher bonita não pode ser inteligente. Mulher inteligente é feia, usa óculos com fundo de garrafa, aparelho nos dentes e cheira a “cecê”. Sabe aquela sua colega de trabalho que usa perfume importado, acorda duas horas antes para arrumar o cabelo, tem os olhos mais lindos que os seus já viram, uma pele de bebê, um corpo escultural e um rosto de boneca de porcelana? Oh não, ela não pode ser inteligente! Provavelmente só está ali, ocupando um cargo importantíssimo, porque dorme com o chefe. Sim, isso é o que a maioria deve pensar. Não, a maioria não está certa.

Há muito tempo que beleza e inteligência estão em conflito, parecem não se misturar, como água e óleo. Quando você vê uma manequim fazendo sucesso nas passarelas, ou uma atriz belíssima que começa a se destacar na novela das oito, logo pensa: “Hum… Essa aí é burra feito uma porta”. Isso é normal, estamos acostumados com tal divergência. Mas não deveríamos estar. Ser bonita e inteligente, ao mesmo tempo, em um mundo tão preconceituoso é muito difícil. Você precisa provar o tempo todo o que é ou o que não é, as pessoas fazem questão de te testar, como se você estivesse usando uma máscara que pudesse cair a qualquer instante. É isso mesmo, infelizmente… Mulher bonita não pode ser inteligente. Mulher bonita só serve para rebolar em show de Axé, apresentar programa pop de tevê ou engravidar de jogador de futebol.

Salvo algumas exceções, é hora de mostrar que essas duas qualidades podem sim ser atribuídas a uma mesma pessoa. Chega dessa coisa de que todo negro é pobre, todo favelado é ladrão, todo paulista é “forgado” e toda mulher bonita é burra. Aliás, estou pensando em me inscrever no próximo concurso de beleza do qual tiver conhecimento.

Fusão

abril 1st, 2008 by Beta | No Comments | Filed in Contos

Cada vez que ele tentava beijá-la, ela recuava e depois lhe provocava ainda mais, olhando fixamente em seus olhos enquanto contornava a boca entreaberta com a língua. Ele sorriu, encostou no batente da porta e deixou que ela caminhasse até a cama, para depois se deitar de costas, fazendo com que o corpo dele todo tremesse ao reparar em cada curva do dela ali, à mostra. Não demorou muito para que ela começasse a se tocar, agora mantinha os olhos fechados enquanto acariciava com calma o próprio pescoço, descendo a mão para o colo e logo em seguida para o meio dos seios firmes e de bicos duros que pareciam convidá-lo para tocar-lhes também. Se sentiu tentado, mas não se mexeu, continuou observando cada movimento do corpo dela, que agora se contorcia todo enquanto ela levava a outra mão para entre as coxas, soltando um leve gemido ao encontrar a carne úmida e ao mesmo tempo quente. Abriu os olhos devagar, encarou-o de um modo tão sexy que dessa vez ele não resistiu.

Colocando-se sobre ela, pôde sentir seu coração batendo acelerado próximo ao dele. Sentiu também o perfume discreto em sua pele, que combinava perfeitamente com o cheiro de seus cabelos, confundindo-se com os pêlos do peito dele. Afastou então seus cabelos com o nariz, para poder roçar seus lábios na orelha dela, sussurrando confissões de excitação. Beijou-a na boca. Foi um beijo molhado, com vontade e demorado, que depois percorreu-lhe todo o caminho do queixo até o umbigo, entre mordidinhas, lambidas e gemidos. Chegou a uma das coxas e a apertou com força, o que fez com que ela afastasse a outra com um movimento automático. Com a boca entre as pernas dela, sentiu seu gosto doce e explorou-a com a língua firme. Ela segurou sua cabeça e, apoiando as duas pernas na cama, forçou-a contra seu corpo, fazendo com que o dele latejasse de desejo ao senti-la molhada. Voltou à sua boca, para beijá-la dessa vez com serenidade. Sentiu seu abraço forte, depois apenas as pontas de seus dedos percorrendo-lhe toda as costas, então segurou seus pulsos e repousou seus braços ao lado do corpo, forçando o seu contra o dela, encaixando-os naturalmente. Segurou a ponta da orelha dela com os dentes, deixando escapar um gemido a cada vez em que ambos mexiam as cinturas, um sentindo o corpo do outro: o dele latejava, rijo, enquanto o dela quente e molhado sugava-o cada vez mais. Soltando suas mãos das dele, segurou-o pelo cabelo e fez com que descesse a boca até um dos seios, sentiu sua língua contornando o bico e isso fez com que ela aumentasse a velocidade dos movimentos, agora cruzando as pernas e se entregando ainda mais. Envolvido naquele clima de desejo incontrolável, ele tentou se segurar para prolongar o momento, mas só conseguiu até que ela estremeceu e gemeu alto – então sentiu que ia explodir dentro dela. Os corpos encaixados, movimentando-se até então incessantemente, aos poucos foram se acalmando. Com a respiração mais amena, ele a encarou sorrindo e voltou a beijá-la, desatento ao tempo. Ela, por sua vez, acariciou seus cabelos com ternura e assim adormeceram, ainda como se fossem um só.

O dia amanheceu quente, ela tentou encontrá-lo na cama sem sucesso. Talvez ele estivesse no banho. Pela fresta da janela, pôde ver os pássaros que se reuniam nos galhos da laranjeira no jardim. Pensou em depois comentar com ele como tudo parecia tão perfeito, mas poderia estar sendo boba demais e ele provavelmente não acharia graça em seu romantismo. Levantou-se na intenção de preparar-lhe o café, mas foi surpreendida pela bandeja já ao lado da cama. Ele entrou no quarto com uma timidez que ela desconhecia, ajoelhou-se aos seus pés e ficou observando-a se deparar com o objeto entre a xícara de leite e uma rosa. Quase sem acreditar, ela sentiu uma lágrima rolando quando ele abriu com cuidado a caixinha e lhe ofereceu a aliança. Descobriu, então, que não apenas seus corpos formavam a combinação perfeita – suas almas também.

Senhora do Tempo

março 31st, 2008 by Beta | No Comments | Filed in Viagens da Alma

Se eu fosse Senhora do Tempo, as horas não passariam tão devagar como estão passando agora, nem passariam tão depressa como aconteceu antes. Elas teriam sua certa duração, de acordo com a minha vontade. Poderiam até mesmo parar no instante em que eu desejasse, sob a influência de um estalar de dedos, dos meus dedos, esses mesmos que escrevem agora para eternizar aquilo que, de outra forma, ficaria apenas na lembrança. Se eu fosse Senhora do Tempo, o passado não seria fixo, não seria imutável e talvez sequer fosse passado. Eu poderia conjugar os verbos no tempo que eu bem quisesse (afinal, eu seria sua Senhora) e não precisaria esperar por um futuro que quero viver agora. Não, eu não precisaria nemmesmo esperar. Se eu fosse Senhora do Tempo, aquele momento se repetiria por muitas, muitas e muitas outras vezes. Eu o prolongaria, brincaria com ele como uma criança, sem pressa, sem compromisso.

Depois de reviver as sensações, cada uma delas, por quantas vezes eu sentisse vontade, eu colocaria o tempo em suas mãos. Seus dedos estariam sobre o relógio e você poderia brincar de ser Deus. Então, o que você faria? Teria coragem o suficiente para apressar as coisas, pular etapas, dar um salto maior do que é capaz agora? Ou moveria os ponteiros ao contrário, para assim poder fazer tudo de forma diferente? Enfim… Se eu fosse Senhora do Tempo, não estaria fazendo tais perguntas. Eu teria todas as respostas sem precisar perguntar.

Mas o tempo é real e é cruel, ele finge não passar nunca ou passa rápido demais e esses movimentos nunca estão de acordo com a nossa vontade. Nem com a minha, nem com a sua. Então, enquanto fico aqui pensando no Tempo como se sua Senhora eu fosse, ele insiste em provar que me bastaria ser Senhora de Mim.

Eu só quis dizer…

março 30th, 2008 by Beta | No Comments | Filed in Viagens da Alma

Fiquei imaginando quantas vezes você já chorou sozinho, com o rosto escondido pelo travesseiro. Desejei estar ao seu lado em todas elas, passar um pouco da minha segurança, envolvê-lo em meus braços da forma mais confortante possível. Busquei sem que você notasse seu olhar inocente e só o que encontrei foi um semblante agoniado. Como quem nada espera em troca, enviei as melhores energias que pude e cheguei a adormecer, para não sei quanto tempo depois acordar com a sensação de estar ao seu lado. Não estava.

Ou será que estava? Esta sou eu, a que se doa, a que oferece sem pedir para receber. A incondicional. E foi assim, vivenciando um sentimento singular, que me senti preparada para confessar:

Passei horas apenas observando seu rosto e você não soube. Acordei da realidade para viver um sonho que eu mesma criei, que moldei da forma mais bonita. Pensei em mil e uma maneiras de demonstrar como me sinto agora, mas só o que consegui fazer foi me perder em tentativas e na escolha das palavras. Sou boa com palavras, você sabe. Mas elas me faltaram. Sim, no instante exato em que tomei coragem, elas me faltaram. Então preparei cuidadosamente uma antologia sentimental. Logo eu, que lhe parecia tão inacessível, agora preciso emprestar palavras para te fazer entender. Se, em meio à dúvida, você imaginar nem que seja por apenas um instante que elas são para você, terá valido a pena.

Coisas do Destino

março 28th, 2008 by Beta | No Comments | Filed in Viagens da Alma

Eu acredito no Destino, mas acredito no livre-arbítrio também. Costumo dizer que o Destino dá as cartas e quem joga sou eu. Sim, tenho jogado bastante ultimamente. Não sei no quê isso dará, mas tenho certeza de que sairei vencedora, de uma forma ou de outra. Quando se fala em Destino a tendência é acharmos que tudo está escrito, que somos uma espécie de marionete criada pelo tal Deus para seu próprio divertimento, porque Ele não deve ter nada melhor para fazer lá no céu ou onde quer que se encontre. Pois bem, creio que não seja nada disso.

Imagine: você acorda pela manhã e o sol está lá fora, sim, mas se você não abrir a janela e a cortina o seu quarto continuará escuro. Ou não. Você pode acender a luz e pronto.

A vida é assim, as coisas são colocadas ao nosso alcance e nós decidimos se as agarramos. O problema é que tudo que é bom a gente agarra com tanto cuidado, que às vezes acaba deixando escapar. Então, quando isso acontece, não adianta colocar a culpa no Destino. O vacilo terá sido seu.

Fragmentos

março 25th, 2008 by Beta | No Comments | Filed in Contos, Viagens da Alma

I
Minha alma fugiu. De repente enojou-se da selvageria desse mundo e então, quando dei por mim, ela já não estava mais aqui. Procurei com empenho, vasculhei cada canto, mas em vão. Minha alma não quer mais estar onde eu estou. Assim, vazia, debrucei-me na janela e fiquei observando a chuva. Os pensamentos estavam livres, mas não se manifestavam, porque nada aqui funciona direito sem minha alma. E essa chuva que não passa e esse meu corpo gelado (sou um cadáver, estou sem alma) e meus olhos lacrimejantes que podem ser comparados à vidraça por onde as gotas de chuva escorrem, tornam essa típica manhã fria de março ainda mais “nonsense”. Sim, nada aqui tem sentido. Já não me reconheço, olho no espelho e só o que vejo é a figura de uma mulher estranha, trêmula. Espero que ela se arrependa e decida voltar, pois não consigo viver além de existir assim, sem alma.

II
Foi em uma dessas tardes chuvosas e convidativas à monotonia que ela se descobriu. O espelho, antes apenas mais um detalhe da decoração de sua imensa sala, passou a chamar-lhe à atenção. Minto. Não é isso. Não era o espelho, mas aquela imagem que ele refletia. Já não tinha os cachinhos negros, o olhar sereno, as sardas. Agora tudo se resumia a um furacão: os cabelos ruivos, os olhos misteriosos, a face enrugada. Nem tanto, exagero meu, pois ela se cuidava. Passou horas observando aquela em quem havia se transformado quase sem perceber. Então virou-se e caminhou sem pressa rumo à porta principal. Saiu. Deixou para trás um passado que vivera sem plenitude, para valorizar o presente do qual, no futuro, pretendia se orgulhar – o que talvez não aconteça, mas para quem se descobriu, isso não importa.

Continho de Páscoa

março 23rd, 2008 by Beta | No Comments | Filed in Datas Especiais, Rapidinhas

Sentiu-se dividida entre a morte e a vida, então nasceu para dentro, onde não se comemora – a Páscoa não a revigora.

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