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	<title>Alma em Punho - por Beta de Felippe</title>
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	<description>Entre contos e crônicas, alguns devaneios que chegam a parecer poesia - ainda que se percam na prosa.</description>
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		<title>Cores de outono</title>
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		<pubDate>Sat, 08 May 2010 17:32:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beta</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Notei que o dia, que havia começado em tons de cinza, coloriu-se ao longo das horas. E todos aqueles sorrisos misturavam-se às cores que pareciam brincar em torno de sensações intraduzíveis, como crianças que acabam de descobrir o mundo além da proteção materna. Me deixei levar desperta pelo sonho e me permiti mergulhar fundo nas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Notei que o dia, que havia começado em tons de cinza, coloriu-se ao longo das horas. E todos aqueles sorrisos misturavam-se às cores que pareciam brincar em torno de sensações intraduzíveis, como crianças que acabam de descobrir o mundo além da proteção materna. Me deixei levar desperta pelo sonho e me permiti mergulhar fundo nas águas tranquilas de um mar sem ondas, onde a felicidade boiava lado a lado com a paz, tanto que estariam de mãos dadas se mãos tivessem. Quando a noite chegou e a escuridão tomou completamente o sonho, nem mesmo o negro assustador pôde afugentar o arco-íris que se exibia em curva do início ao fim. Foi então que me lancei ao sono e tive a impressão de que não estava lúcida antes.</p>
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		<title>É que&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 04 May 2010 12:15:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beta</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É que eu não consigo deixar de pensar nas consequências e lembrar da sua voz me dizendo baixinho e do sorriso mais perfeito estampado em um rosto que já decorei de tanto admirar. É que o seu medo me dá medo e é um medo difícil de explicar porque ele não tem razão de ser. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É que eu não consigo deixar de pensar nas consequências e lembrar da sua voz me dizendo baixinho e do sorriso mais perfeito estampado em um rosto que já decorei de tanto admirar. É que o seu medo me dá medo e é um medo difícil de explicar porque ele não tem razão de ser. É que eu tenho muito para dizer mas não encontro o momento certo, já que não sei até quando &#8211; ou quanto &#8211; posso errar. É que minha boca entreaberta só consegue sussurrar na proximidade da sua e meu corpo todo estremece com a proximidade do seu, com seu cheiro e seus gostos, todos eles. É que seu olhar me intimida ao mesmo tempo em que me convida, então eu me perco nas possibilidades e nessa imensa vontade de te fazer compreender com pressa o que não cabe na calma. É que cada uma dessas coisas, das suas coisas, me atrai, me faz desejar com tamanha intensidade que faço dos seus desejos a base forte dos meus. É que meu tempo talvez seja mais curto que o seu, mas meus sentimentos são tão sinceros que seria injusto não ter tempo o suficiente. É que eu sei muito bem o que é.</p>
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		<title>O último dia</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Aug 2009 23:28:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
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		<description><![CDATA[- Hoje será nosso último dia juntos. Não quero mais ver você. &#8211; ele disse. E ela o beijou. Beijou-o como nunca, com tanta vontade que seus lábios chegaram a tremer. Se entregou naquele instante e sem vacilar, sabia que ele falara sério e nunca mais poderia tê-lo em seus braços novamente, por isso o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Hoje será nosso último dia juntos. Não quero mais ver você. &#8211; ele disse.</p>
<p>E ela o beijou. Beijou-o como nunca, com tanta vontade que seus lábios chegaram a tremer. Se entregou naquele instante e sem vacilar, sabia que ele falara sério e nunca mais poderia tê-lo em seus braços novamente, por isso o apertou com força. Seu olhar encontrou o dele e ali permaneceu por algum tempo, ou muito tempo &#8211; ela não contou &#8211; então teve a sensação de ter enxergado sua alma. Entre um gemido e outro ela confessou seus mais nobres sentimentos por ele, mesmo sem saber da reciprocidade. Oras, eles nunca mais se veriam &#8211; por que não viver aquele momento intensamente? Por que não fazer amor com ele ao menos uma vez, já que todo o sexo que fizeram até então não fora suficiente para satisfazer seus anseios de mulher?</p>
<p>Era sua última oportunidade, aquele seria o último dia. Então ela se abriu, de todas as maneiras possíveis e desejáveis. Não podia voltar atrás, fazer tudo de forma diferente, por isso fez tudo o que pôde no tempo que lhe restara. Deitada na cama, ainda nua, observou-o se vestir quase sem piscar. Ele arrumou suas coisas, se encarou no espelho ajeitando os cabelos e depois voltou-se para ela sorrindo, sem dizer uma palavra sequer &#8211; saiu. Sobre a penteadeira, apenas um bilhete escrito às pressas por aquele que poderia ter sido o homem de sua vida. Mesmo que as lágrimas atrapalhassem um pouco, ela trancou a porta por onde ele acabara de sair e pôs-se a ler.</p>
<p>&#8220;<em>Você me presenteou com a cumplicidade. Fui sincero ao dizer que não queria mais ver você. Então a conheci; e me surpreendi. Até amanhã.</em>&#8220;</p>
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		<title>Do suspenso</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 21:58:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beta</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O som que eu fizer será música para seus ouvidos. A palavra que eu disser, num silêncio ensurdecedor, será o motivo da loucura que lhe fará vacilar entre o que há para viver e o irreal. As tantas dúvidas que surgirão como o ar que se respira, vindas sabe-se lá de onde, não serão mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O som que eu fizer será música para seus ouvidos. A palavra que eu disser, num silêncio ensurdecedor, será o motivo da loucura que lhe fará vacilar entre o que há para viver e o irreal. As tantas dúvidas que surgirão como o ar que se respira, vindas sabe-se lá de onde, não serão mais do que o ínfimo desconhecer sem mérito de importância. Não haverá entendimento, não obterá compreensão, mas será o todo. E terá tudo. Virá completo um calafrio sentido n&#8217;alma de quem tenta, no conforto da conquista, no desdém de todo o resto. Assim se obterá, em nada se transformará.</p>
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		<title>Ao contrário</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Jun 2009 04:02:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Viagens da Alma]]></category>
		<category><![CDATA[inconstância]]></category>

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		<description><![CDATA[De quando em vez sinto vontade de fazer tudo ao contrário, só para ver no que dá. Me entedia essa vida regrada que a maioria das pessoas insiste em levar &#8211; ou &#8220;empurrar com a barriga&#8221; &#8211; e eu preciso mudar, todo dia. Eu mudo, todos os dias. Não faço questão de ter hábitos, ainda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De quando em vez sinto vontade de fazer tudo ao contrário, só para ver no que dá. Me entedia essa vida regrada que a maioria das pessoas insiste em levar &#8211; ou &#8220;empurrar com a barriga&#8221; &#8211; e eu preciso mudar, todo dia. Eu mudo, todos os dias. Não faço questão de ter hábitos, ainda que inevitavelmente eu os tenha, principalmente porque hábitos nos escravizam e fazem com que vivamos sempre no comum. Eu tenho verdadeiro pavor do que é comum, do que é costumeiro, daquilo que tanta gente usa como base para uma existência à qual nem a própria pessoa consegue dar um sentido. O que me era caro ontem pode perder todo seu valor amanhã e não sofro em razão disso, porque mantenho o que me serve hoje e basta.</p>
<p>Não entendo por que tudo deve (deve?) ser obrigatoriamente ajustado, enfileirado, organizado. Eu quero desarrumar, quero a chance de modificar, quero poder moldar. Não desejo mais do que aquilo de que sou capaz e se a vida que há em mim é a minha vida, então que eu decida. E a minha decisão é clara: farei tudo ao contrário e, se não ficar satisfeita, mudarei tudo outra vez.</p>
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		<title>Por que não escrever?</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Jun 2009 22:17:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rapidinhas]]></category>
		<category><![CDATA[sentimentos]]></category>

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		<description><![CDATA[Porque há momentos em que as mãos não acompanham os pensamentos. E nesses momentos não adianta insistir, só sentir.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Porque há momentos em que as mãos não acompanham os pensamentos.<br />
E nesses momentos não adianta insistir, só sentir.</p>
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		<title>Presente dos Deuses</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Jun 2009 03:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beta</dc:creator>
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		<category><![CDATA[animais]]></category>
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		<description><![CDATA[O mês mudou, junho chegou com jeitinho de janeiro e me parece que não apenas o ano, mas também a vida está começando agora. Continua chovendo, ainda está frio e agora eu tenho um casal de gatos para (me) aquecer e para (me) ensinar. Até o final da semana passada éramos apenas minha gata com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O mês mudou, junho chegou com jeitinho de janeiro e me parece que não apenas o ano, mas também a vida está começando agora. Continua chovendo, ainda está frio e agora eu tenho um casal de gatos para (me) aquecer e para (me) ensinar. Até o final da semana passada éramos apenas minha gata com nome de deusa e eu dividindo momentos repletos de carícias e ronronadas e eu já começava a achar que a vida pode sim ser melhor do que eu imaginava, mas agora tenho certeza disso. Agora temos mais quatro patas em casa, temos um gato com nome de deus que chegou trazendo tantas boas energias que não cabem aqui &#8211; elas estão escapando pelas portas e janelas, envolvendo vizinhos e parentes, inundando o mundo à nossa volta com uma onda imensa de serenidade.</p>
<p>Gosto de observá-los dormindo enquanto escrevo &#8211; ele aconchegado em seu cobertor azul, que deve lhe parecer o paraíso após seus primeiros e sofridos dias de vida abandonado em um beco qualquer de uma favela; ela em posição fetal na almofada bem próximo aos meus pés, mexendo as orelhinhas vez ou outra, dando a entender que está tendo um sonho bom. Saraswati e Lugh têm sido minha inspiração e minha fonte de energia. Quem olha para eles vê apenas um casal de gatos, animais que infelizmente ainda sofrem muito preconceito e maus tratos por parte de humanos que deveriam aprender a ser mais humanos, mas quando os observo eu enxergo um presente que me foi enviado por alguma força suprema que ainda não sei identificar bem qual é. E quando me perguntam por que escolhi tais nomes, por que eles têm nomes de deuses, a resposta me vem com naturalidade: simplesmente porque, mais do que um presente deles, eles são os próprios deuses.</p>
<p><center><img src="http://www.almaempunho.com.br/imagens/catdeuses.jpg" class="imgcentro"></center></p>
<p>Então é junho e a vida começa agora. Pessoas que se perderam nos meses, que perderam anos e passaram a acreditar que não mais terão a chance de viver realmente, deveriam adotar gatinhos. Gatos são um remédio natural contra a depressão, nos ensinam a valorizar o simples, envolvem o ambiente onde estão com uma mistura de paz e tranquilidade. Não importa quando, o importante é o como. E gatinhos já nascem sabendo como alegrar qualquer existência, abençoando-a com vida.</p>
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		<title>Chuva de Maio</title>
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		<pubDate>Fri, 15 May 2009 17:35:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beta</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje o dia começou frio e chuvoso, um bom dia para voltar a escrever. É esse amontado de possibilidades que me inspira enquanto tudo é agonia, porém. Há meses eu havia prometido a mim mesma que faria tudo diferente, criei algumas regras e me comprometi a segui-las sem questionar. Besteira. Não nasci para seguir as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje o dia começou frio e chuvoso, um bom dia para voltar a escrever. É esse amontado de possibilidades que me inspira enquanto tudo é agonia, porém. Há meses eu havia prometido a mim mesma que faria tudo diferente, criei algumas regras e me comprometi a segui-las sem questionar. Besteira. Não nasci para seguir as regras. Não fui feita para seguir nada que não seja a vontade que tenho agora e o agora de antes já não existe. Também não posso ir além sem questionar, isso faria com que eu fincasse meus pés em um solo infértil que, confesso, eu desprezo. Mas o dia está gelado e essa chuva fina que quase não se percebe me faz sorrir, até mesmo rir do que foi planejado antes, porque não tenho poder algum sobre o tempo. Nem esse e nem aquele. Lá fora é apenas um clima, aqui dentro é o temporal.</p>
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		<title>Andrea Doria</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Oct 2008 03:16:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<category><![CDATA[ilusão]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Às vezes parecia que de tanto acreditar em tudo o que achávamos tão certo, teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais, faríamos floresta do deserto e diamantes de pedaços de vidro. Mas percebo agora que o teu sorriso vem diferente, quase parecendo te ferir. Não queria te ver assim, quero a tua força [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>&#8220;<i>Às vezes parecia que de tanto acreditar em tudo o que achávamos tão certo, teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais, faríamos floresta do deserto e diamantes de pedaços de vidro. Mas percebo agora que o teu sorriso vem diferente, quase parecendo te ferir. Não queria te ver assim, quero a tua força como era antes. O que tens é só teu e de nada vale fugir e não sentir mais nada. (&#8230;)</i>&#8220;</p></blockquote>
<p>É o que tenho dito já há algum tempo, essa coisa da ilusão que machuca. Que magôa, que destrói. A gente abraça o mundo e de repente descobre que não está abraçando nada além daquilo que nunca foi real. Esse mundo que antes estava em nosso poder, bem perto do coração, desaparece como se resumido a um punhado de cinzas que alguém lançou ao vento. Quem, não importa. O fato é que não se pode abraçar as cinzas, a não ser que você esteja queimando. E sorrir nesse momento é algo tão falso que chega a machucar, ofendendo a nossa própria inteligência, que então nos serve como uma espécie de beijo, aquele tipo de beijo que tira a princesa de seu sono encantado, com uma diferença notável: nada aqui é fantasia. Você acorda para o real e se enxerga como um ser tão fraco que prefere dar as costas para tudo o que criou até então, porque já não consegue diferenciar o que realmente faz parte da sua vida do que o que nunca fez.</p>
<blockquote><p>&#8220;<i>(&#8230;) Às vezes parecia que era só improvisar e o mundo então seria um livro aberto &#8211; até chegar o dia em que tentamos ter demais, vendendo fácil o que não tinha preço. Eu sei é tudo sem sentido&#8230; Quero ter alguém com quem conversar, alguém que depois não use o que eu disse contra mim. Nada mais vai me ferir, é que eu já me acostumei com a estrada errada que eu segui e com a minha própria lei. Tenho o que ficou e tenho sorte até demais, como sei que tens também.</i>&#8220;</p></blockquote>
<p>Mas a vida é isso aí, um jogo de sorte onde colocamos freqüentemente em risco a nossa sanidade. Não há segredos quando se faz uso da coragem, a gente arrisca e segue cambaleando ou não. A firmeza de cada passo sempre dependerá do quanto estamos dispostos a apostar nesse jogo que agora deixa a sorte de lado e se torna um jogo de azar. É nessa hora, exatamente nesse instante quase imperceptível, que tudo o que você fez e falou passa a te amedrontar. O que fazer, então?! Absolutamente nada além de aceitar a pessoa em quem você se transformou e o caminho que esse alguém optou por trilhar. Voltar atrás te faria cometer os mesmos erros, não se deixe enganar novamente pela tal da ilusão, porque isso não deixaria de acontecer. A única coisa real na ilusão é sua existência. Porém, ela não é o fim. Ela é, pelo contrário, o início de tudo. É quando você a descobre que tem a chance de viver de verdade e percebe que jamais será bom sentir-se infeliz, mas sempre é maravilhoso tê-lo sido.</p>
<p><center><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=7,0,0,0" width="260" height="60" id="yehplay" align="middle" border="0"><param name="movie" value="http://www.mp3tube.net/play.swf?id=da6cf83e7f0723ae1793a1cc631207bc" /><param name="quality" value="High" /><param name="wmode" value="transparent"></param><param name="menu" value="false"><embed src="http://www.mp3tube.net/play.swf?id=da6cf83e7f0723ae1793a1cc631207bc" quality="High" width="260" height="60" name="yehplay" align="middle" allowScriptAccess="sameDomain" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" menu="false" /></param></object></p>
<p><b>Andrea Doria &#8211; Legião Urbana</b></center></p>
<p><u>Nota</u>: O <b>SS Andrea Doria</b> foi um navio transatlântico italiano lançado ao mar em 1951. Foi assim batizado em homenagem ao almirante genovês <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Andrea_Doria">Andrea Doria</a>. Em 26 de julho de 1956, quando navegava rumo a New York, ao largo de Nantucket (Massachusetts &#8211; EUA), colidiu com o Stockholm, um navio de bandeira sueco-americana, vindo a naufragar. Transportando cerca de 1.200 passageiros e 500 tripulantes, foram resgatadas 1.660 pessoas. Cerca de 50 pessoas perderam a vida no desastre. Perderam-se ainda algumas obras de arte italianas.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Escrevendo no escuro</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Oct 2008 04:53:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beta</dc:creator>
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		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[noite]]></category>
		<category><![CDATA[solidão]]></category>

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		<description><![CDATA[Não costumo fazer isso, mas estou escrevendo no escuro. A única luz aqui é a de um abajur sem cúpula que encontrei no meio daquela minha bagunça organizada e repleta de coisas que não me servem mais, mas que fariam falta se delas eu me desfizesse. Por que insisto em sentir falta do que não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não costumo fazer isso, mas estou escrevendo no escuro. A única luz aqui é a de um abajur sem cúpula que encontrei no meio daquela minha bagunça organizada e repleta de coisas que não me servem mais, mas que fariam falta se delas eu me desfizesse. Por que insisto em sentir falta do que não cabe mais na minha vida, eu não sei. A lâmpada principal decidiu não funcionar mais no meu quarto, sem motivo aparente, já que funciona em todos os outros cômodos da casa. Talvez o problema não seja a lâmpada, mas sim o lugar onde me encontro agora.</p>
<p>As sombras que surgem a partir da luz fraca me assustam, são formas estranhas que criam uma atmosfera sombria, isso me dá arrepios. Me encolho feito uma criança sozinha com medo do escuro, medo esse que não tive antes, sequer na infância eu o tinha. Nesse momento, porém, a solidão negra me toma de tal modo que nem todos os abraços possíveis me acolheriam. E nada do que é possível agora conseguiria afugentar essa sensação de vazio que quase me preenche.</p>
<p>Mas não tem nada a ver com essas formas estranhas que enfeitam as paredes me cercando. Eu poderia resolver tudo isso fechando meus olhos e permanecendo assim até que a luz surgisse por si só, naturalmente, como sempre foi desde o início dos tempos. Eu poderia, mas não quero. Chega de falsas soluções, de falsas esperanças, de falsos planos. Chega de tudo que é falso, eu prefiro manter meus olhos abertos e enxergar a escuridão. O que me conforta agora é saber que sou capaz de escrever no escuro.</p>
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