Archive for the ‘Poema & Poesia’ Category

Se tu fossi qui

outubro 19th, 2008 by Beta | 1 Comment | Filed in Italiano, Poema & Poesia

[ O texto publicado no post anterior, agora traduzido para o Italiano. ]

Se tu fossi qui ora
anche solo per mezz’ora
avrebbe senso tutto il mio pensare
se in questo momento mi stessi guardando
potrei vedere al di là dei miei occhi
e si rifletterebbe fino a dove i tuoi possono arrivare.
Se stessi ascoltando la mia voce
mi daresti l’attenzione di un allievo
E se io stessi guadagnando importanza
sarei io la persona più felice.
Ah, se potessi comprendere
che ciò che sento è troppo puro
e nobile e semplice
come la complicità del dare senza ricevere
solo per la soddisfazione di donare
del sostenere e comprendere.
Se tu fossi qui ora
potrei esprimermi in un altro modo
forse un gesto, chissà
senza nessuno da analizzare
solo per dimostrare
ma non ho idea di dove tu sia
di cosa fai, o con chi
non so neanche se sei con qualcuno
Però c’è qualcosa che non posso negare
Ti invento a modo mio e il mondo lo ignora
poi così ti immagino perfetto
e riesco a sentire che sei qui ora.

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Se você estivesse aqui

setembro 26th, 2008 by Beta | 5 Comments | Filed in Poema & Poesia

[Sabem aqueles poeminhas que a gente escreve na adolescência?
Ah, pois é. Eis um dos meus.]

Se você estivesse aqui agora
Nem que fosse por meia hora
Seria válido todo o meu pensar.
Se estivesse, nesse momento, olhando para mim
Poderia enxergar além dos meus olhos
E estaria refletido até onde os teus alcançassem.
Se estivesse ouvindo minha voz
Daria-me a atenção de um aprendiz
E, se eu estivesse conquistando importância
Seria eu a pessoa mais feliz.
Ah, se você pudesse compreender
Que o que sinto é tão puro
E nobre e tão simples
Como a cumplicidade do dar sem receber
Apenas pela satisfação do doar
De apoiar e de compreender.
Se você estivesse aqui agora
Eu poderia me expressar de outra forma
Talvez um gesto, quem sabe
Sem ninguém pra analisar
Apenas pelo demonstrar.
Mas nem imagino onde você está
O que faz, ou com quem
Nem mesmo sei se está com alguém
Porém, há algo que não posso negar:
Te faço do meu jeito
Te crio pra mim e o mundo ignora
Pois assim te imagino perfeito
Podendo sentir que está aqui agora.

Além da curva da estrada

julho 24th, 2008 by Beta | 3 Comments | Filed in Poema & Poesia, Viagens da Alma

Quando era mais nova e todos os meus primos sonhavam acordados com a viagem em família para a Disneyland que se aproximava, eu costumava sentar na areia com as pernas cruzadas e ficar observando o mar da cidade onde morava enquanto perguntava a mim mesma: “Por que não aqui?”. Eu não queria ir tão longe para poder fantasiar e nem precisava disso. Ali eu tinha meus peixes falantes, tele-caramujos e sereias com cabelos emaranhados. Por que não ali?

Mas quando crianças nós ainda não entendemos o sentido da fantasia, por mais que ela esteja presente em todos os dias da nossa infância. Hoje eu sei de sua importância e sei, também, que ela não se limita aos anos que ficaram para trás.

Então eu faço planos e vou caminhando lentamente – em frente – com receio do que existe após a curva. Se ainda fosse criança eu estaria mais fascinada do que amedrontada, afinal toda expectativa se resumiria ao encontro com príncipes encantados, fadas madrinhas e um lugar perfeito onde eu reinaria feliz para sempre. O fato é que não importa quão adulta eu seja, a fantasia ainda existe e é exatamente ela que me traz o temor, porque as chances de não encontrar uma fada madrinha que me apresente ao tal príncipe encantado com quem reinarei na felicidade eterna um lugar perfeito são muito grandes.

De qualquer forma, é preciso enfrentar a curva da estrada, já que retornar não é mais possível. Em razão disso optei por me concentrar no caminho, pois é onde estou agora. E é um caminho deveras real.


Além da curva da estrada

Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há
para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por hora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.

(Fernando Pessoa)

Raiva em rima

maio 5th, 2008 by Beta | 1 Comment | Filed in Poema & Poesia, Viagens da Alma

Amor, então, também acaba?
Não, que eu saiba.
O que sei é que ele se torna matéria-prima
Que a vida se encarrega de transformar em raiva
- ou em rima.

(Paulo Leminski)


* texto antigo

Eu deveria, então, escrever poesia. Uma poesia, uma só que fosse, para usar todas as rimas possíveis no menor espaço conquistado. Deixar que essa raiva toda fosse, depois de muito bem mastigada, digerida e que resultasse em arte. Eu deveria acender um cigarro atrás do outro conforme minha intensa vontade e fumar madrugada adentro, escrevendo sem parar, poesia. Lembrar de cada frase sua e mudar o final, fazendo rima pós rima, assim sem parar, até que toda essa raiva já nao fosse mais raiva. Mas não sei. Eu não sei fazer isso (ao menos ainda não) e talvez nem conseguisse, porque não sei se o amor, depois de transformado em raiva, pode vir a se tornar rima. E é mágoa. É essa sensação de inocência indesejada que me consome, que faz a minha lembrança dolorida, que me invade e me domina, que te afasta do meu bem-querer bruscamente. Então você mente. E eu faço rima.

Não quero te odiar, por mais que me tenha dado motivos para isso. Quero pensar em você e sorrir, quem sabe chegar até a rir, mas por enquanto não há como. Então escrevo. Eu escrevo no intuito de botar para fora o que nem cabe mesmo mais em mim, enquanto você dorme e tem um sono leve, assim calmo, como a leveza e a calmaria de uma vida sem culpa. Hipocrisia – que rima com fantasia, veja só! Foi a tentativa. Não deu, porque a única rima que encontro agora para o amor, é… Raiva.

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