O último dia
agosto 27th, 2009 by Beta | Filed under Contos.- Hoje será nosso último dia juntos. Não quero mais ver você. – ele disse.
E ela o beijou. Beijou-o como nunca, com tanta vontade que seus lábios chegaram a tremer. Se entregou naquele instante e sem vacilar, sabia que ele falara sério e nunca mais poderia tê-lo em seus braços novamente, por isso o apertou com força. Seu olhar encontrou o dele e ali permaneceu por algum tempo, ou muito tempo – ela não contou – então teve a sensação de ter enxergado sua alma. Entre um gemido e outro ela confessou seus mais nobres sentimentos por ele, mesmo sem saber da reciprocidade. Oras, eles nunca mais se veriam – por que não viver aquele momento intensamente? Por que não fazer amor com ele ao menos uma vez, já que todo o sexo que fizeram até então não fora suficiente para satisfazer seus anseios de mulher?
Era sua última oportunidade, aquele seria o último dia. Então ela se abriu, de todas as maneiras possíveis e desejáveis. Não podia voltar atrás, fazer tudo de forma diferente, por isso fez tudo o que pôde no tempo que lhe restara. Deitada na cama, ainda nua, observou-o se vestir quase sem piscar. Ele arrumou suas coisas, se encarou no espelho ajeitando os cabelos e depois voltou-se para ela sorrindo, sem dizer uma palavra sequer – saiu. Sobre a penteadeira, apenas um bilhete escrito às pressas por aquele que poderia ter sido o homem de sua vida. Mesmo que as lágrimas atrapalhassem um pouco, ela trancou a porta por onde ele acabara de sair e pôs-se a ler.
“Você me presenteou com a cumplicidade. Fui sincero ao dizer que não queria mais ver você. Então a conheci; e me surpreendi. Até amanhã.“
Tags: sentimentos
Nossa, é a primeira vez que vejo alguém se abrindo para alguém e conseguindo este mesmo alguém…
E quais as novidades, menina, tuco tranquilo?
Além, disso, os teus dois gatos estão bem (senão me engano)?
Fique com Deus, menina Beta de Felippe.
Um abraço.
Olá, Beta de Felippe,
Parabéns pelo maravilhoso texto com o qual nos presenteia agora. Adorei o desfecho inesperado, mostrando por meio de uma situação extrema entre um casal prestes a se separar, o quanto vivemos de forma relaxada e despreocupada, deixando escapar a intensidade que trazemos dentro nós. Ah, se em tudo, pudéssemos nos derramar como se fosse o último dia… Como “viveríamos”!
Amei o texto.
Saudações!
Poxa!
Adorei o blog.
Já estou seguindo aqui e no Facebook.
bjnho
Conheci esse blog por um link do orkut e adorei!!!
É muito interessante perceber que em cada texto a gente se encontra um pouquinho nele.
Parabéns!
Olá Beta!! Como está??
Lembra de mim? Qto tempo…
Vim visitar teu blog e adorei os textos! Vc tem o dom!!
Bjoss