O som que eu fizer será música para seus ouvidos. A palavra que eu disser, num silêncio ensurdecedor, será o motivo da loucura que lhe fará vacilar entre o que há para viver e o irreal. As tantas dúvidas que surgirão como o ar que se respira, vindas sabe-se lá de onde, não serão mais do que o ínfimo desconhecer sem mérito de importância. Não haverá entendimento, não obterá compreensão, mas será o todo. E terá tudo. Virá completo um calafrio sentido n’alma de quem tenta, no conforto da conquista, no desdém de todo o resto. Assim se obterá, em nada se transformará.
Archive for junho, 2009
Ao contrário
junho 10th, 2009 by Beta | 3 Comments | Filed in Viagens da AlmaDe quando em vez sinto vontade de fazer tudo ao contrário, só para ver no que dá. Me entedia essa vida regrada que a maioria das pessoas insiste em levar – ou “empurrar com a barriga” – e eu preciso mudar, todo dia. Eu mudo, todos os dias. Não faço questão de ter hábitos, ainda que inevitavelmente eu os tenha, principalmente porque hábitos nos escravizam e fazem com que vivamos sempre no comum. Eu tenho verdadeiro pavor do que é comum, do que é costumeiro, daquilo que tanta gente usa como base para uma existência à qual nem a própria pessoa consegue dar um sentido. O que me era caro ontem pode perder todo seu valor amanhã e não sofro em razão disso, porque mantenho o que me serve hoje e basta.
Não entendo por que tudo deve (deve?) ser obrigatoriamente ajustado, enfileirado, organizado. Eu quero desarrumar, quero a chance de modificar, quero poder moldar. Não desejo mais do que aquilo de que sou capaz e se a vida que há em mim é a minha vida, então que eu decida. E a minha decisão é clara: farei tudo ao contrário e, se não ficar satisfeita, mudarei tudo outra vez.
Tags: inconstância
Por que não escrever?
junho 6th, 2009 by Beta | 1 Comment | Filed in RapidinhasPorque há momentos em que as mãos não acompanham os pensamentos.
E nesses momentos não adianta insistir, só sentir.
Tags: sentimentos
Presente dos Deuses
junho 1st, 2009 by Beta | 1 Comment | Filed in Miados e RonronsO mês mudou, junho chegou com jeitinho de janeiro e me parece que não apenas o ano, mas também a vida está começando agora. Continua chovendo, ainda está frio e agora eu tenho um casal de gatos para (me) aquecer e para (me) ensinar. Até o final da semana passada éramos apenas minha gata com nome de deusa e eu dividindo momentos repletos de carícias e ronronadas e eu já começava a achar que a vida pode sim ser melhor do que eu imaginava, mas agora tenho certeza disso. Agora temos mais quatro patas em casa, temos um gato com nome de deus que chegou trazendo tantas boas energias que não cabem aqui – elas estão escapando pelas portas e janelas, envolvendo vizinhos e parentes, inundando o mundo à nossa volta com uma onda imensa de serenidade.
Gosto de observá-los dormindo enquanto escrevo – ele aconchegado em seu cobertor azul, que deve lhe parecer o paraíso após seus primeiros e sofridos dias de vida abandonado em um beco qualquer de uma favela; ela em posição fetal na almofada bem próximo aos meus pés, mexendo as orelhinhas vez ou outra, dando a entender que está tendo um sonho bom. Saraswati e Lugh têm sido minha inspiração e minha fonte de energia. Quem olha para eles vê apenas um casal de gatos, animais que infelizmente ainda sofrem muito preconceito e maus tratos por parte de humanos que deveriam aprender a ser mais humanos, mas quando os observo eu enxergo um presente que me foi enviado por alguma força suprema que ainda não sei identificar bem qual é. E quando me perguntam por que escolhi tais nomes, por que eles têm nomes de deuses, a resposta me vem com naturalidade: simplesmente porque, mais do que um presente deles, eles são os próprios deuses.

Então é junho e a vida começa agora. Pessoas que se perderam nos meses, que perderam anos e passaram a acreditar que não mais terão a chance de viver realmente, deveriam adotar gatinhos. Gatos são um remédio natural contra a depressão, nos ensinam a valorizar o simples, envolvem o ambiente onde estão com uma mistura de paz e tranquilidade. Não importa quando, o importante é o como. E gatinhos já nascem sabendo como alegrar qualquer existência, abençoando-a com vida.