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Archive for agosto 23rd, 2008

Escreva Roberta, escreva…

23 ago

Eu tenho essa mania incômoda de fantasiar sem limites e isso me ajuda a encarar a realidade sempre que ela me desagrada, mas nem por isso fantasiar deixa de me ser incômodo. O engraçado é que, ainda assim, mantenho sempre meus pés no chão. A cabeça vai longe, longe… Ela parece desprender-se do resto do meu corpo, mas os pés continuam firmes no chão. Então, quando a puxo de volta, volto também ao lugar comum de sempre – suspiro. Às vezes eu choro, me revolto durante alguns poucos minutos de pranto e depois dou de ombros. Fazer o quê?!

Me perco nessas contradições óbvias, oh… E sou inconstante, reclamo da (falta de) atitude alheia quando, na verdade, sou eu quem desiste de agir. Simples, desisto e pronto. O que era meu maior sonho há meio minuto torna-se algo tão insignificante que passo a acreditar na minha própria falta de lucidez – que não chega a ser loucura, mas me faz escura. Nesse momento tudo perde o sentido e nada mais tem a importância de antes, a não ser minha capacidade de fantasiar.

Só que eu não aprendo! Ah, eu não aprendo… Vai passar e depois irá começar tudo novamente. O ciclo não se fecha, ou se fecha, sei lá, para em seguida recomeçar do mesmo ponto em que se encerrou. Me sinto tonta, até. Tento me apoiar em algo, o que quer que seja, qualquer coisa que me dê segurança, sem muito sucesso. Aliás, sem nenhum sucesso. E tudo gira, gira…

Quando as coisas parecem se firmar, vem o medo da decepção. Não da minha, essa já é velha companheira. As nossas fantasias não deveriam afetar os outros, huh? Mas infelizmente não sou eu quem dita as regras e, se fosse, aí sim tudo estaria perdido. É que ainda não consegui me encontrar.