Archive for maio, 2008

Por acaso, promessas.

maio 22nd, 2008 by Beta | 5 Comments | Filed in Viagens da Alma

É que promessas não devem ser feitas, sabe… Certa vez me disseram que as pessoas até podem entrar “por acaso” na nossa vida, mas jamais será “por acaso” que elas permanecerão. O que é o acaso, então? E tantas pessoas já passaram pela minha vida; algumas nela permaneceram por pouco tempo (o suficiente para que se tornassem marcantes), outras sinto que estão por aqui temporariamente e também há aquelas que de certo para sempre estarão por perto, ainda que estejam longe. O fato é que desconfio de promessas. Eu desconfio de tudo aquilo que se prevê sem ter esse poder. E se “por acaso” muda-se o rumo, e se a única certeza usada na hora da promessa se perder entre um emaranhado de dúvidas que geralmente se acumulam durante o caminho? E se… ?

Não faça promessas. Diga o que você sente, se expresse sem prometer. Não permita que as palavras quebrem o encanto contido em suas atitudes, não faça isso. Deixe que a sincronicidade leve à segurança. Palavras enfeitam, não fincam. Promessas não devem ser feitas.

Raiva em rima

maio 5th, 2008 by Beta | 1 Comment | Filed in Poema & Poesia, Viagens da Alma

Amor, então, também acaba?
Não, que eu saiba.
O que sei é que ele se torna matéria-prima
Que a vida se encarrega de transformar em raiva
- ou em rima.

(Paulo Leminski)


* texto antigo

Eu deveria, então, escrever poesia. Uma poesia, uma só que fosse, para usar todas as rimas possíveis no menor espaço conquistado. Deixar que essa raiva toda fosse, depois de muito bem mastigada, digerida e que resultasse em arte. Eu deveria acender um cigarro atrás do outro conforme minha intensa vontade e fumar madrugada adentro, escrevendo sem parar, poesia. Lembrar de cada frase sua e mudar o final, fazendo rima pós rima, assim sem parar, até que toda essa raiva já nao fosse mais raiva. Mas não sei. Eu não sei fazer isso (ao menos ainda não) e talvez nem conseguisse, porque não sei se o amor, depois de transformado em raiva, pode vir a se tornar rima. E é mágoa. É essa sensação de inocência indesejada que me consome, que faz a minha lembrança dolorida, que me invade e me domina, que te afasta do meu bem-querer bruscamente. Então você mente. E eu faço rima.

Não quero te odiar, por mais que me tenha dado motivos para isso. Quero pensar em você e sorrir, quem sabe chegar até a rir, mas por enquanto não há como. Então escrevo. Eu escrevo no intuito de botar para fora o que nem cabe mesmo mais em mim, enquanto você dorme e tem um sono leve, assim calmo, como a leveza e a calmaria de uma vida sem culpa. Hipocrisia – que rima com fantasia, veja só! Foi a tentativa. Não deu, porque a única rima que encontro agora para o amor, é… Raiva.

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