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Archive for abril 5th, 2008

Eu finjo ter paciência

05 abr

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára.
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora, vou na valsa
A vida é tão rara.
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência.
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência…
Será que é tempo que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo prá perder?
E quem quer saber? A vida é tão rara, tão rara…

[Lenine - Paciência]

A vida segue adiante mesmo enquanto estamos de olhos fechados, sonhando, sem aceitar que para se realizar um sonho é preciso primeiro acordar. Quanto tempo a gente perde nesse estado, como se estivéssemos em um coma profundo, vivenciando o irreal? São anos e anos idealizando, criando, moldando aquilo que, na verdade, sempre esteve pronto. Acabamos nos envolvendo com uma realidade tão falsa que passamos a enxergar o que não é, deixando de acreditar no que pode ser. Isso dói, martiriza. Então, de uma hora para outra, a gente acorda e quer recuperar o tempo perdido – e é nessa hora que precisamos de paciência, mas estamos tão focados no nosso objetivo, tão ansiosos, que pacientes dificilmente conseguimos ser. E, ao colocar “os pés pelas mãos”, estragamos tudo. Não devíamos desperdiçar a vida assim, não mesmo.