Archive for abril, 2008

Basta sentir

abril 30th, 2008 by Beta | 6 Comments | Filed in Viagens da Alma

Falar sobre sentimentos é complicado, porque na maioria das vezes ninguém consegue entendê-los a não ser quem os sente. Por mais que você narre um momento, destaque os detalhes e faça isso com destreza, não conseguirá expressar exatamente o que você sentiu naquele instante. É essa a magia, é na simplicidade da compreensão singular que encontramos o encanto.

Sabemos que a vida – e falo de sua parte boa – se faz de pequenas coisas inexplicáveis. Pequenas, sim. Aquelas coisas que quase sempre são imperceptíveis ao olhar alheio mas que passam a te habitar e não importa quanto tempo fique para trás, você ainda poderá sentir um toque, um cheiro, um gosto. Você não consegue explicar, mas sente. E se sente, explicar para quê?!

Então basta um segundo antes de um beijo ou de uma carícia, para que o momento se eternize. Você irá beijar outras vezes, acariciar e ser acariciado, mas nada sequer chegará perto de se tornar tão marcante quanto aquele segundo antes do ato. Aquele mero segundo que precedeu horas se torna um marco. E você se lembrará sempre dele, por dias, por anos, por uma vida. Talvez por mais de uma.

A única coisa capaz de levar à compreensão é a intimidade. Você não precisa nada dizer, gesticular ou insinuar, você se faz entender. Acontece através de um encontro entre olhares e… Apenas acontece. É natural, chega a parecer místico, mas é algo simplesmente natural. É do íntimo que nasce a cumplicidade, a comunicação em silêncio, a única que pode ser extensamente compreendida – e se um sentimento só pode ser entendido por quem o sente, é na intimidade que o outro encontra espaço para fazê-lo.

Sem que você perceba, tudo passa a fazer sentido. Não é preciso filosofar, indagar, analisar. De uma hora para outra você descobre que perdeu tempo demais tentando decifrar os mistérios, procurando um porquê que nunca teve necessidade de ser. De repente tudo fica claro (e colorido), então você não se importa mais com os motivos, quer apenas sentir – sim, tudo passa a fazer sentido.

As pessoas se manifestarão, mas nada do que dizem parece te atingir dali em diante. Onde quer que você esteja, estará no caminho certo, independendo do que os outros irão falar, opinar, teorizar. Viver se tornou mais importante do que ouvir.

O mundo passa a ser seu e vem aquela vontade voraz de abraçá-lo, tomá-lo em seus braços sem se importar com o que passou, porque agora você compreende. E se alguém te diz que é impossível abraçar o mundo, você responde: – Impossível é te fazer entender, porque você não sente.

Eu finjo ter paciência

abril 5th, 2008 by Beta | 2 Comments | Filed in Viagens da Alma

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára.
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora, vou na valsa
A vida é tão rara.
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência.
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência…
Será que é tempo que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo prá perder?
E quem quer saber? A vida é tão rara, tão rara…

[Lenine - Paciência]

A vida segue adiante mesmo enquanto estamos de olhos fechados, sonhando, sem aceitar que para se realizar um sonho é preciso primeiro acordar. Quanto tempo a gente perde nesse estado, como se estivéssemos em um coma profundo, vivenciando o irreal? São anos e anos idealizando, criando, moldando aquilo que, na verdade, sempre esteve pronto. Acabamos nos envolvendo com uma realidade tão falsa que passamos a enxergar o que não é, deixando de acreditar no que pode ser. Isso dói, martiriza. Então, de uma hora para outra, a gente acorda e quer recuperar o tempo perdido – e é nessa hora que precisamos de paciência, mas estamos tão focados no nosso objetivo, tão ansiosos, que pacientes dificilmente conseguimos ser. E, ao colocar “os pés pelas mãos”, estragamos tudo. Não devíamos desperdiçar a vida assim, não mesmo.

Mulheres Bonitas X Mulheres Inteligentes

abril 2nd, 2008 by Beta | 2 Comments | Filed in Viagens da Alma

Mulher bonita não pode ser inteligente. Mulher inteligente é feia, usa óculos com fundo de garrafa, aparelho nos dentes e cheira a “cecê”. Sabe aquela sua colega de trabalho que usa perfume importado, acorda duas horas antes para arrumar o cabelo, tem os olhos mais lindos que os seus já viram, uma pele de bebê, um corpo escultural e um rosto de boneca de porcelana? Oh não, ela não pode ser inteligente! Provavelmente só está ali, ocupando um cargo importantíssimo, porque dorme com o chefe. Sim, isso é o que a maioria deve pensar. Não, a maioria não está certa.

Há muito tempo que beleza e inteligência estão em conflito, parecem não se misturar, como água e óleo. Quando você vê uma manequim fazendo sucesso nas passarelas, ou uma atriz belíssima que começa a se destacar na novela das oito, logo pensa: “Hum… Essa aí é burra feito uma porta”. Isso é normal, estamos acostumados com tal divergência. Mas não deveríamos estar. Ser bonita e inteligente, ao mesmo tempo, em um mundo tão preconceituoso é muito difícil. Você precisa provar o tempo todo o que é ou o que não é, as pessoas fazem questão de te testar, como se você estivesse usando uma máscara que pudesse cair a qualquer instante. É isso mesmo, infelizmente… Mulher bonita não pode ser inteligente. Mulher bonita só serve para rebolar em show de Axé, apresentar programa pop de tevê ou engravidar de jogador de futebol.

Salvo algumas exceções, é hora de mostrar que essas duas qualidades podem sim ser atribuídas a uma mesma pessoa. Chega dessa coisa de que todo negro é pobre, todo favelado é ladrão, todo paulista é “forgado” e toda mulher bonita é burra. Aliás, estou pensando em me inscrever no próximo concurso de beleza do qual tiver conhecimento.

Fusão

abril 1st, 2008 by Beta | No Comments | Filed in Contos

Cada vez que ele tentava beijá-la, ela recuava e depois lhe provocava ainda mais, olhando fixamente em seus olhos enquanto contornava a boca entreaberta com a língua. Ele sorriu, encostou no batente da porta e deixou que ela caminhasse até a cama, para depois se deitar de costas, fazendo com que o corpo dele todo tremesse ao reparar em cada curva do dela ali, à mostra. Não demorou muito para que ela começasse a se tocar, agora mantinha os olhos fechados enquanto acariciava com calma o próprio pescoço, descendo a mão para o colo e logo em seguida para o meio dos seios firmes e de bicos duros que pareciam convidá-lo para tocar-lhes também. Se sentiu tentado, mas não se mexeu, continuou observando cada movimento do corpo dela, que agora se contorcia todo enquanto ela levava a outra mão para entre as coxas, soltando um leve gemido ao encontrar a carne úmida e ao mesmo tempo quente. Abriu os olhos devagar, encarou-o de um modo tão sexy que dessa vez ele não resistiu.

Colocando-se sobre ela, pôde sentir seu coração batendo acelerado próximo ao dele. Sentiu também o perfume discreto em sua pele, que combinava perfeitamente com o cheiro de seus cabelos, confundindo-se com os pêlos do peito dele. Afastou então seus cabelos com o nariz, para poder roçar seus lábios na orelha dela, sussurrando confissões de excitação. Beijou-a na boca. Foi um beijo molhado, com vontade e demorado, que depois percorreu-lhe todo o caminho do queixo até o umbigo, entre mordidinhas, lambidas e gemidos. Chegou a uma das coxas e a apertou com força, o que fez com que ela afastasse a outra com um movimento automático. Com a boca entre as pernas dela, sentiu seu gosto doce e explorou-a com a língua firme. Ela segurou sua cabeça e, apoiando as duas pernas na cama, forçou-a contra seu corpo, fazendo com que o dele latejasse de desejo ao senti-la molhada. Voltou à sua boca, para beijá-la dessa vez com serenidade. Sentiu seu abraço forte, depois apenas as pontas de seus dedos percorrendo-lhe toda as costas, então segurou seus pulsos e repousou seus braços ao lado do corpo, forçando o seu contra o dela, encaixando-os naturalmente. Segurou a ponta da orelha dela com os dentes, deixando escapar um gemido a cada vez em que ambos mexiam as cinturas, um sentindo o corpo do outro: o dele latejava, rijo, enquanto o dela quente e molhado sugava-o cada vez mais. Soltando suas mãos das dele, segurou-o pelo cabelo e fez com que descesse a boca até um dos seios, sentiu sua língua contornando o bico e isso fez com que ela aumentasse a velocidade dos movimentos, agora cruzando as pernas e se entregando ainda mais. Envolvido naquele clima de desejo incontrolável, ele tentou se segurar para prolongar o momento, mas só conseguiu até que ela estremeceu e gemeu alto – então sentiu que ia explodir dentro dela. Os corpos encaixados, movimentando-se até então incessantemente, aos poucos foram se acalmando. Com a respiração mais amena, ele a encarou sorrindo e voltou a beijá-la, desatento ao tempo. Ela, por sua vez, acariciou seus cabelos com ternura e assim adormeceram, ainda como se fossem um só.

O dia amanheceu quente, ela tentou encontrá-lo na cama sem sucesso. Talvez ele estivesse no banho. Pela fresta da janela, pôde ver os pássaros que se reuniam nos galhos da laranjeira no jardim. Pensou em depois comentar com ele como tudo parecia tão perfeito, mas poderia estar sendo boba demais e ele provavelmente não acharia graça em seu romantismo. Levantou-se na intenção de preparar-lhe o café, mas foi surpreendida pela bandeja já ao lado da cama. Ele entrou no quarto com uma timidez que ela desconhecia, ajoelhou-se aos seus pés e ficou observando-a se deparar com o objeto entre a xícara de leite e uma rosa. Quase sem acreditar, ela sentiu uma lágrima rolando quando ele abriu com cuidado a caixinha e lhe ofereceu a aliança. Descobriu, então, que não apenas seus corpos formavam a combinação perfeita – suas almas também.

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