Dez
10
Natal 2009

Tenham todos um Feliz Natal, com muita paz e harmonia.

 
 
© Beta de Felippe
 
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    - Hoje será nosso último dia juntos. Não quero mais ver você. – ele disse.

    E ela o beijou. Beijou-o como nunca, com tanta vontade que seus lábios chegaram a tremer. Se entregou naquele instante e sem vacilar, sabia que ele falara sério e nunca mais poderia tê-lo em seus braços novamente, por isso o apertou com força. Seu olhar encontrou o dele e ali permaneceu por algum tempo, ou muito tempo – ela não contou – então teve a sensação de ter enxergado sua alma. Entre um gemido e outro ela confessou seus mais nobres sentimentos por ele, mesmo sem saber da reciprocidade. Oras, eles nunca mais se veriam – por que não viver aquele momento intensamente? Por que não fazer amor com ele ao menos uma vez, já que todo o sexo que fizeram até então não fora suficiente para satisfazer seus anseios de mulher?

    Era sua última oportunidade, aquele seria o último dia. Então ela se abriu, de todas as maneiras possíveis e desejáveis. Não podia voltar atrás, fazer tudo de forma diferente, por isso fez tudo o que pôde no tempo que lhe restara. Deitada na cama, ainda nua, observou-o se vestir quase sem piscar. Ele arrumou suas coisas, se encarou no espelho ajeitando os cabelos e depois voltou-se para ela sorrindo, sem dizer uma palavra sequer – saiu. Sobre a penteadeira, apenas um bilhete escrito às pressas por aquele que poderia ter sido o homem de sua vida. Mesmo que as lágrimas atrapalhassem um pouco, ela trancou a porta por onde ele acabara de sair e pôs-se a ler.

    "Você me presenteou com a cumplicidade. Fui sincero ao dizer que não queria mais ver você. Então a conheci; e me surpreendi. Até amanhã."

     
     
    © Beta de Felippe
     
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    O som que eu fizer será música para seus ouvidos. A palavra que eu disser, num silêncio ensurdecedor, será o motivo da loucura que lhe fará vacilar entre o que há para viver e o irreal. As tantas dúvidas que surgirão como o ar que se respira, vindas sabe-se lá de onde, não serão mais do que o ínfimo desconhecer sem mérito de importância. Não haverá entendimento, não obterá compreensão, mas será o todo. E terá tudo. Virá completo um calafrio sentido n'alma de quem tenta, no conforto da conquista, no desdém de todo o resto. Assim se obterá, em nada se transformará.

     
     
    © Beta de Felippe
     
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